1.6.06

Comentando Cláudia, Eler e Paulo...

Pelo que foi pesquisado pelo meu grupo , um dos conceitos de "cultura científica" está relacionado ao desenvolvimento da ciência sob o ponto de vista da produção, divulgação (entre os pares / pública) e educação científica. Mas, em entrevista com um professor do mestrado, cultura científica pertence, faz parte somente de grupos de cientistas, pesquisadores. Nós que somos aspirantes ao título de mestrado, pretendemos chegar próximos de ter a cultura científica. No caso da alfabetização e letramento em ciência e tecnologia,acho que estaria relacionada a conhecer o como ler, falar e escrever sobre ciência e praticar tais procedimentos. No caso, o "como fazer a ciência" vai além da alfabetização e letramento científica... Mas podemos pensar que a alfabetização científica seja o primeiro passo para a enculturação científica (mesmo que ela não se dê por completo), não é mesmo?

Outra questão: Dentro do contexto colocado por Cláudia, em relação a Ciência e Tecnologia, quando uma pessoa estaria em processo de enculturação ou de aculturação? Se ela não é cientista e, por isso não faz parte da cultura científica, ao tentar ter/ desenvolver essa cultura ela está em processo de ENCULTURAÇÃO ou ACULTURAÇÃO? O que vocês acham?
1/6/06 22:14

27.5.06

Cultura Científica

Oi pessoal,
Como tem aparecido muito em nossas discussões os termos enculturação e aculturação, aqui vai a significação segundo Aurélio:

enculturação[Do ingl. enculturation.] Substantivo feminino.
1.Antrop. Processo de condicionamento e/ou de aprendizagem, consciente ou inconsciente, formal ou informal, mediante o qual um indivíduo, no decorrer da vida, apreende os padrões gerais de sua cultura; socialização.

aculturação[Do ingl. acculturation.] Substantivo feminino.
1.Antrop. Processo decorrente do contato mais ou menos direto e contínuo entre dois ou mais grupos sociais, pelo qual cada um desses grupos assimila, adota ou rejeita elementos da cultura do outro, seja de modo recíproco ou unilateral, e podendo implicar, eventualmente, subordinação política.
2.P. ext. O estado que resulta desse processo.
3.Psicol. Sociol. Adaptação de um indivíduo a uma nova cultura com que estabelece contato, seja em seu local de origem, seja em outro local para que se tenha mudado.

26.5.06

RESENHA

AS DUAS CULTURAS E UMA SEGUNDA LEITURA - C.P SNOW
( em 1959 e 1963 )

A obra As Duas Culturas e uma Segunda Leitura do escritor Charles Percy Snow é uma versão ampliada do livro Duas Culturas e a Revolução Científica traduzida por Geraldo Gerson de Souza e Renato Azevedo Rezende Neto. A obra apresenta duas partes, sendo que a primeira retrata a Palestra da Rede pronunciada em 1959 pelo próprio Charles Percy Snow. Nela, SNOW divulga a divisão de duas culturas para apontar diversidades entre cientistas e não cientistas (literatos), compara países industrializados e não industrializados e ressalta a urgência dos ricos ajudarem os pobres para diminuir as desigualdades entre eles. A segunda parte do livro representa a Segunda Leitura, escrita quatro anos após a palestra original (em 1963), comentando as reações que provocou em relação à educação e à existência de sociedades favorecidas e desfavorecidas. Ele não se envolveu em um debate, esperou as idéias se sedimentarem, de ouvir os comentários e de analisar novos acontecimentos, afastou personalidades, críticas carregadas de níveis anormais. Na Segunda Leitura, o autor se dispôs a lançar um segundo olhar sobre a palestra com subsídios de novos conhecimentos científicos, sociológicos e históricos.
Para o autor, “os não cientistas têm a impressão arraigada de que superficialmente os cientistas são otimistas e inconscientes da condição humana. Por outro lado, os cientistas acreditam que os literatos são totalmente desprovidos de previsão, peculiarmente indiferentes aos seus semelhantes num sentido profundo são antiintelectuais e ansiosos por restringir a arte e pensamento ao presente imediato”. Essas afirmações são fundamentadas nas relações diretas do autor com cientistas e literatos com os quais conviveu.
Ao justificar o título: duas culturas, diz que “o número 2 (dois) é muito perigoso”. A tentativa de dividir tudo por dois é recebida com muita suspeita, sendo considerada pelos não cientistas como uma supersimplificação. Os críticos da época, consideraram a existência de pelo menos três culturas, pois compartilham boa parte do sentimento científico. O autor condena, na época retratada, a cultura literária que demonstrava a incompreensão total da ciência e introduz o sentimento não-científico em toda cultura tradicional. Havia uma polarização que determinava a perda prática, intelectual e criativa. Isso confirma a divisão de duas culturas.
Com relação ao sentido antropológico de cultura, que é mais técnico e usado por antropólogos para definir pessoas que vivem no mesmo lugar com hábitos e modo de vida em comum, pode-se perceber padrões comuns de comportamento e preferência entre cientistas diferentes dos não cientistas.
Na segunda leitura do livro, o autor mostra-se favorável à existência de subdivisões da cultura científica pelas diferentes áreas da ciência, mas que para ele apresentam pontos em comum que permitem a consolidação de uma cultura científica. Mesmo que a ciência pura tenha se originado do desejo de compreender o mundo natural e ciência aplicada (tecnologia) da necessidade de controlá-lo, ele afirma existir similaridades entre essas duas ciências pelo fato de uma encontrar e expressar sua motivação na outra. É fato que o autor considera ciência aplicada como sinônimo de tecnologia sabendo que essa palavra não está relacionada somente com a ciência, não é somente fruto da Ciência.
Diferentes áreas humanas têm interesse de saber como seres humanos estão vivendo, como são os efeitos humanos da revolução científica. Nesse momento, vê-se que o estudo que, tem como objeto o homem e seus comportamentos e hábitos, parece ser reconhecida pelo autor como não fazendo parte da ciência. Para ele, isso poderia em hipótese ser considerado como terceira cultura. Tal fato pode ser confirmado em outro momento do livro em que relata que a Inglaterra não reconhece as áreas social e humana como foco de estudo.
Em vários momentos, o autor procura explicar e justificar a existência das duas culturas. Ele relatou que essa divisão é mais aguda na Inglaterra pela excessiva especialização em ciência até os 18 anos e pela tendência de se cristalizar suas formas sociais. Diz não ter possibilidade de comunicação entre as duas culturas e na época dele (década de 50) expressões erradas sobre a ciência são usadas na arte. A primeira poderia ter sido mais útil à segunda. No entanto, atualmente, se considerarmos os avanços tecnológicos que englobam as artes visuais (a computação gráfica, a ficção científica, a inteligência artificial) enfim todos os meios de divulgação científica a distância e o preconceito com relação à categoria artística diminuiu.
Ao dar continuidade à explicação da segunda leitura, o autor considera uma outra razão para a divisão das duas culturas está relacionada com o fato dos intelectuais não cientistas não conseguirem compreender e aceitar a Revolução Industrial. A cultura tradicional (relacionada à cultura literária) deixava de lado a Revolução à medida que se enriquecia além de educar os jovens para o propósito de perpetuar a própria cultura, mas não para compreender a revolução ou se tornar parte da dela. Segundo as idéias do autor, não há como impor esse tipo de rejeição à industrialização àqueles que não tem escolha, aos pobres que passavam mais dificuldades quando eram trabalhadores rurais (antes da Revolução Industrial).
Daí o autor como em outros momentos ressalta a importância de se rever a educação na Inglaterra, pois ela não conseguiu enfrentar a revolução científica como em outros países. Ele faz comparações entre a educação russa e a inglesa, dizendo que a russa é menos especializada do que a inglesa e mais árdua que a americana tanto que para os não-acadêmicos, ela se revelou bem difícil. Os russos formam mais engenheiros e cientistas do que os americanos e os ingleses e por isso parecem compreender melhor a revolução científica do que os outros dois. O fato de haver menor distância entre as duas culturas na URSS, ao se constatar que os romances têm maior familiaridade com a indústria e maior fé ardente na educação, permite dizer que os russos estão à frente da revolução científica. Os russos souberam avaliar os tipos e a quantidade de homens e mulheres educados, dando atenção não somente a classe de cientistas de alto nível e nem a profissionais de bom nível para pesquisas de apoio, projeto e desenvolvimento, mas também aqueles de formação técnica, iniciados em ciências naturais ou mecânicas que são extremamente importantes para revolução científica. Nesse sentido, a Inglaterra fica atrás no processo de revolução científica, pois desconsidera a mulher para seguir a carreira científica e desqualifica a formação de nível técnico. No país inglês, faz-se necessário romper com o padrão rígido da Educação e das Duas Culturas.
Antes da Inglaterra e dos EUA se prepararem para a revolução científica, é necessário que eles contribuam para diminuir o fosso entre ricos e pobres, sabendo que na época em que a palestra aconteceu, os países industrializados estavam ficando mais ricos e países não industrializados já estavam estacionados. Ele diz que esse fosso pode ser eliminado com o acompanhamento de guerras e de fome. Ele será eliminado, mas como e por quem, não se sabe. Segundo o autor, os países pobres precisam ter capital (de fora) para alcançar a industrialização e a revolução científica precisa antes de tudo desse capital, inclusive em maquinaria. Também se precisa de homens – cientistas e engenheiros - para se dedicarem à industrialização do país estrangeiro. “Felizmente a atitude natural de um cientista é desprovida de sentimentos raciais e sua própria cultura é democrática em termos de relações humanas”. Eis aí, uma defesa aos cientistas, à cultura científica tão menosprezada pelos literários. Finalizando esse contexto, “para o bem da vida intelectual da Inglaterra, para o bem da sociedade ocidental (EUA), para o bem do pobre que não precisará ser pobre, é importante que os americanos e todo o Ocidente encarem a educação de uma nova forma” (SNOW, 1959).
Pode-se perceber que passados 50 anos, os países denominados pobres, considerados atualmente de subdesenvolvidos, desenvolveram-se industrialmente por um financiamento por parte de países como os EUA. A ajuda não foi sinônima de uma situação favorável aos países pobres, mas garantiram a dependência desses com relação aos países ricos. Por exemplo, o Brasil não tem um investimento considerável em pesquisa tecnológica e por isso adota medidas de transferência de tecnologia e busca o intercâmbio com as fontes de conhecimentos e informações. Mesmo com a iniciativa no desenvolvimento de programas de educação tecnológica que possibilitem aos trabalhadores adquirir novas tecnologias de produção, novas formas de organização da produção, de gestão da tecnologia e da inovação adequadas à nova realidade globalizada, há também o descaso da elite econômica que se contenta em importar desde insumos até produtos acabados. (CARVALHO, s.d)
Ao introduzir o termo cultura científica em seu livro, o autor mostra alguns exemplos de cultura científica, sobre cultura científica cita exemplos como os de Crick e Watson que chegaram à estrutura de DNA, ensinando-nos sobre a herança genética “na vida individual de cada um existe muita coisa sobre a qual, afinal de contas, não temos grande influência”. Ao se referir à cura para as doenças, ou pelo menos o método de evitá-la ou de apaziguá-la significa que não é necessário descobertas científicas milagrosas embora essas descobertas devam nos ajudar, mas atos conscientes da revolução científica é que devem ser disseminados pelo mundo. A esses atos científicos, considerados de certa forma hábitos culturais, cujos valores e concepções são intrínsecos ao próprio ato, em parte determinam a cultura científica. Um exemplo simples é o hábito de se lavar as mãos numa época em que se desconsiderava a proliferação de doenças por meio de da contaminação por germes transmissores da própria doença ou por diversos outros.
Nesse aspecto, o autor coloca em destaque a preferência no que se refere à vida em relação a morte. É visível em suas colocações, que as pessoas não passem fome ou que não vejam seus filhos morrerem. Enfatizando a importância de nutrir compaixão pelo ser humano, para que haja interesse humano recíproco. E completa: “felizmente a maioria de nós não é assim tão insensível”. O autor considera dessa forma aspectos humanos e científicos e culturais.
Em exemplos bem lembrados o autor mostra a importância dos movimentos sociais das artes que modificaram o pensamento e as ações das pessoas naquele momento, como O MOVIMENTO MODERNISTA - Manifestado especialmente pela arte, o movimento modernista visto polo autor como prenunciador, o preparador e por muitas partes o criador de um estado de espírito nacional. Lembrando que a arte moderna influenciou a forma de ver o mundo e os acontecimentos, incluindo a atitude de artistas em relação às suas própria formas de fazer a arte e de expressá-la. A ousadia e a mudança de ambientes para a produção artística era contaminante. Tudo isso fez com que novos rumos temáticos e estéticos fossem buscados pelos artistas e pelos literatos.
Em relação à literatura e as artes defende que “o uso do sistema simbólico de pensamento são as mais preciosas qualidades humanas. Seja ela literária ou científica”. Exemplifica: “as mais belas prosas escritas por acaso durante uma geração, demonstram os valores intelectuais, estéticos e morais inerentes ao estudo científicos”.
Ao usar a palavra cultura, o autor declara que “somente a falta de imaginação ou a ignorância absoluta, poderia rejeitar o uso da palavra cultura em relação aos cientistas”. Observa assim, que mesmo com a condição individual, a condição social é parte de nós e somos parte dela. Enfatizando que isso não pode ser negado e com um olhar um tanto otimista assegura que a revolução científica promoverá as transformações. Mudará a educação, a matriz social e numa velocidade maior do que já ocorreu. Mas adverte: “as mudanças na educação sozinhas não irão solucionar os nossos problemas. Mas sem essas mudanças, nem sequer compreenderemos quais são os problemas. A divisão da nossa cultura está nos tornando mais obtusos do que necessitamos ser”.
Para SNOW, é importante educar nossos alunos para que não desconheçam a experiência criativa, tanto na ciência quanto na arte e que, não ignorem as possibilidades da ciência aplicada, o sofrimento irremediável dos seus contemporâneos e as responsabilidades que uma vez estabelecidas não podem mais ser negadas. Para complementar a idéia final do livro tão esclarecedor de Snow, é sob o olhar do pensamento complexo que anuncia Edgar Morin:
“Compreender tudo isso exige uma nova aprendizagem, pois fomos formados em um sistema de ensino que privilegia a separação, a redução, a compartimentalização, o próprio corporativismo dos saberes, que fraciona e aliena nosso modo de pensar; em conseqüência, uma reforma do pensamento se impõe. Sua necessita é vital, porque a degradação da aptidão para globalizar e para contextualizar os problemas, para estabelecer os elos em cadeia do local e do global, para compreender suas interações é tão mais grave quanto os problemas fundamentais que são globais e complexos. Tudo isso se encontra tecido junto”. (MORIN, 1998).
Em relação a novas abordagens de linguagem tecnológicas que em um dado momento acabaram por influenciar ou até modificar a cultura na atualidade, LÉVY (1999) utiliza termo ciberespaço pelos modos materiais da comunicação digital e também pelo universo de informações que ela contempla, assim como os seres humanos que “navegam” e os que sobrevivem desse sistema.
Nesse aspecto, “cibercultura” termo definido por LEVY, (1999), como uma cultura que “mantém a universalidade ao mesmo tempo em que dissolve a totalidade”, ou seja, ao mesmo tempo em que nossa sociedade tende se tornar uma única comunidade mundial, essa comunidade ainda é desigual e conflitante.
Percebemos ao final desse trabalho que a diferença que se estabelece hoje entre as duas culturas é muito mais amena do que quando foi publicado o livro As Duas Culturas e Uma Segunda Leitura, embora o autor já admitisse a possibilidade da conexão não só entre as diversas culturas como a forma de comunicação entre elas.
Para concluir nossa observação feita em relação a constantes conexões intrínsecas a cultura, a educação, tecnologia e ciências, citamos também LEMOS (2003) que compreende como a forma sociocultural que surge da relação entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 1970. Para ele, o prefixo “ciber” dá a entender um novo determinismo tecnológico. A cibercultura é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais. Segundo ele vivemos já a cibercultura. Ela não é o futuro que vai chegar e sim o nosso presente (home banking, cartões inteligentes, celulares, palms, pages, voto eletrônico, imposto de renda via rede, entre outros). Trata-se assim de escapar, seja de um determinismo técnico, seja de um determinismo social. A cibercultura representa a cultura contemporâneas sendo conseqüência direta da evolução da cultura técnica moderna (LEMOS, 2003:12).

Referências bibliográficas

CARDOSO, Tereza Fachada Levy. Sociedade e Desenvolvimento Tecnológico: uma abordagem histórica. In: GRISPUN, Mirian Paura Sabrosa Zippin (org). Educação Tecnológica: Desafios e Perspectivas. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2001. p 183-225.

CARVALHO, Marília Gomes de. Tecnologia, Desenvolvimento Social e Educação Tecnológica. Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa: São Paulo, s.d. Disponível em: . Acesso em: jan/2006.

LEMOS, André; CUNHA, Paulo (orgs). Olhares sobre a Cibercultura. Porto Alegre: Editora Sulina, 2003; pp. 11-23.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo, Editora 34, 1999.

MORIN, E. MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 3. ed. Editora Lisboa: Instituto Piaget, 2001.177p

MORIN, Edgar. Por uma Reforma de Pensamento. In: PENA-VEGA, Alfredo; N., Elimar Pinheiro do Nascimento. O pensar complexo: Edgar Morin e a crise da modernidade. Ed. Garamond. Rio de Janeiro, 1999.

SNOW, Charles Percy. As Duas Culturas e uma segunda leitura: uma versão ampliada das Duas Culturas e a Revolução científica; trad. Geraldo Gerson de Souza / Renato de Azevedo Rezende Neto – S. Paulo, 1995. 120 p.

14.5.06

Museus e Centros de Ciência virtual

EUA
Smithsonian
Alemanha

Deustche Museum

http://www.deutsches-museum.de

Austrália
Questacon - The National Science & Technology Centre
Canberra

http://www.questacon.edu.au

Brasil
Estaçao Ciência - Universidade de Sao Paulo
Sao Paulo

http://www.eciencia.usp.br

Canadá
Ontario Science Centre

http://www.ontariosciencecentre.ca

Chile
Museo Interactivo Mirador

http://www.mim.cl/

Colômbia
Maloka
Bogotá

http://www.maloka.org

Dinamarca
Experimentarium

http://www.experimentarium.dk

Espanha
Museos Científicos Coruñeses

http://www.casaciencias.org

Parque de las Ciencias

http://www.parqueciencias.com

Museo Miramon - Kutxa Espacio de la Ciencia

http://www.miramon.org

Museo Nacional de Ciencias Naturales (CSIC)

http://www.mncn.csic.es
França
Cité des Sciences et de l'Industrie (La Villete)
http://www.cite-sciences.fr

10.5.06

Anteprojeto

TEMA: Cultura Científica

PROBLEMA: A indefinição e a não sistematização de conceitos relacionados a Educação, Cultura, Tecnologia e Ciência, principalmente entre profissionais de Educação do próprio CEFET, foram levantadas pelo Professor Paulo Ventura no Projeto de Ensino proposto na disciplina. Posteriormente, tal fato foi confirmado a partir da aplicação de um questionário aos alunos para resgate das concepções prévias sobre as expressões Educação Tecnológica, Educação Científica, Cultura Científica, Cultura Tecnológica, Apropriação da Cultura Científica e Tecnológica e Alfabetização e Letramento em Ciência e Tecnologia. O grupo ficou responsável pela melhor definição da expressão Cultura Científica. Sendo assim, qual seria o conceito mais sistematizado de Cultura Científica a partir de pesquisa bibliográfica e de entrevistas realizadas com profissionais de educação?

TÍTULO: O conceito de Cultura Científica no contexto educacional

OBJETIVOS:
Objetivo geral: Contribuir para uma aproximação do conceito de Cultura Científica que possa alcançar as várias concepções dessa expressão encontradas na literatura científica e entre profissionais envolvidos com a divulgação e pesquisa científica.

Objetivos específicos:
 Identificar concepções sobre Cultura Científica presente entre os professores do Mestrado em Educação Tecnológica, no grupo de funcionários da Fundação Zoobotânica e do Museu de Ciências da PUC.
 Determinar possíveis diferenças na concepção de Cultura Científica para os três públicos a serem entrevistados.
 Identificar concepções sobre Cultura Científica na literatura científica.
 Sistematizar aspectos comuns na concepção sobre Cultura Científica presente nas várias fontes citadas.

RECURSOS/ METODOLOGIA
1) Os recursos adotados para a metodologia de pesquisa preliminar foram embasados numa metodologia teórico exploratória para a realização de uma primeira pesquisa bibliográfica sobre o tema Cultura Científica. Em vista disso, foram identificados diferentes conceitos e concepções acerca dessa expressão.
Segundo VOGT, Sd. ( Ano??? )
“Embora haja distinções teóricas e metodológicas fundamentais entre arte e ciência, há entre elas algo poderosamente comum. Trata-se da finalidade compartilhada por ambas, que é a da criação e a da geração de conhecimento, através da formulação de conceitos abstratos e ao mesmo tempo, por paradoxal que pareça, tangíveis e concretos. No caso da ciência essa tangibilidade e concretude se dá pela demonstração lógica e pela experiência; no caso da arte, pela sensibilização do conceito em metáfora e pela vivência.
“Por isso a expressão cultura científica nos soa mais adequada do que as várias outras tentativas de designação do amplo e cada vez mais difundido fenômeno da divulgação científica e da inserção no dia-a-dia de nossa sociedade dos temas da ciência e da tecnologia.
Melhor do que alfabetização científica (tradução para scientific literacy), popularização / vulgarização da ciência (tradução para popularisation/vulgarisation de la science), percepção/ compreensão pública da ciência (tradução para public understanding/awarness of science) a expressão cultura científica tem a vantagem de englobar tudo isso e conter ainda, em seu campo de significações, a idéia de que o processo que envolve o desenvolvimento científico é um processo cultural, quer seja ele considerado do ponto de vista de sua produção, de sua difusão entre pares ou na dinâmica social do ensino e da educação, ou ainda do ponto de vista de sua divulgação na sociedade, como um todo, para o estabelecimento das relações críticas necessárias entre o cidadão e os valores culturais, de seu tempo e de sua história” VOGT, Sd (ano??? ).
No exemplo de IZQUIERDO ( 2005),
“Além disso, e em parte como conseqüência disso, existe no Brasil um profundo e generalizado menosprezo pela cultura, praticado por meio da burla ou da zombaria. (...) O povo é quase que sistematicamente ensinado a rir daquilo que não é cultura popular, e a adorar o que lhe impingem como tal” (IZQUIERDO, 2005).
MENEZES (2005), explica que na sociedade contemporânea,
“Assim, é também mais defensável tomar a cultura científica como direito de todos, não como prerrogativa de poucos. Diante da complexidade e da rápida evolução do conhecimento científico, pode parecer ambição inalcançável tornar a formação científica um direito universal, e desenvolver um currículo para as ciências na educação básica, capaz de contribuir para o enfrentamento de problemas da sociedade contemporânea, como exclusão econômica, individualismo consumista, desrespeito humano e ameaça ambiental” (MENEZES, 2005)
Numa adaptação de MUNOZ, 2002, ( nome ??? mesmo ano??? )
Cultura como conjunto de conhecimentos adquiridos pela pessoa que permite desenvolver o sentido crítico e de juízo (...) como instrução de um conjunto de conhecimentos não especializados que toda pessoa educada deve saber (...) ou como conjunto de modos de vida, conhecimentos e grau de desenvolvimento de uma coletividade humana ou de uma época (ADAPTADO DE MUÑOZ, 2002).
A partir desses trechos, é possível lançar mão de algumas referências acerca da expressão Cultura Científica. Pode-se perceber que esse tema inclui, em seu conceito, a alfabetização científica (também chamada scientific literacy), a popularização/ vulgarização da ciência e percepção/ compreensão pública da ciência. Ela também considera que o desenvolvimento científico é um processo cultural seja em sua produção, em sua difusão entre os pares, assim como no processo de ensino/ de educação e na difusão por toda sociedade. Também há relação com a formação científica universal e escolar para lidar com os problemas cotidianos e com o que não é cultura popular e por isso tem sido discriminado no Brasil. Pelo conceito de cultura, pode-se prever que cultura científica está relacionada com a aquisição ou com o ensino de conhecimentos científicos não somente no contexto individual, como também no contexto social (da coletividade).
2) Com essa primeira pesquisa, foi possível definir que seriam realizadas entrevistas com diferentes públicos de acordo com os três âmbitos da cultura científica: 1) produção; 2) difusão e 3) ensino/ educação de conhecimentos, procedimentos e história científicos. Atendendo aos tópicos 1 e 3, serão entrevistados, pelo menos, três professores do curso de Mestrado em Educação Tecnológica – CEFET/ MG. Segundo o tópico 2, serão entrevistados funcionários relacionados com a elaboração da exposição do Museu de Ciências da PUCMINAS – Coração Eucarístico. Ao considerar que o conceito de Cultura Científica é muito amplo, foi proposta uma entrevista semi-estruturada com a definição prévia de alguns itens prévios. No entanto, novos itens poderão ser incluídos ao longo da realização das entrevistas. Chama-se a atenção para o fato de que as primeiras entrevistas feitas sejam somente entrevistas-piloto. Caso seja necessário, posteriormente, será feita uma outra proposta de entrevista para a identificação mais precisa das concepções sobre Cultura Científica do público-alvo.

Itens da Entrevista-Piloto:
a) Conceito de Cultura Científica.
b) A visão sobre a Cultura Científica no âmbito da educação formal e não formal
c) A identificação da Cultura Científica no âmbito do trabalho/da área de estudo (do entrevistado).


Estas foram as preliminares do projeto.
Em breve postaremos a resenha sobre "as duas culturas" aguardem....

A equipe Cultura Científica.

21.4.06

Compartilhando...

Pesquisando sobre cultura científica,
encontramos um artigo que pode
interessar ao grupo cultura tecnológica.
Vejam o arquivo: Cultura comunicacional tecnológica

Abraços.
Grupo de pesquisa cultura científica.

P.S. : baixem o firefox será bastante útil para vcs.


20.4.06

A Espiral da cultura científica

Carlos Vogt

Fernando de Azevedo, no clássico A cultura brasileira, de 1943, seguindo a distinção de Humboldt entre cultura e civilização vê na primeira uma espécie de vontade schopenhauriana da sociedade em preservar a sua existência e assegurar o seu progresso, atendendo não apenas à satisfação das exigências de sua vida material, mas sobretudo e principalmente de suas necessidades espirituais.

Como escreve o autor, "cultura, [...], nesse sentido restrito, e em todas as suas manifestações, filosóficas e científicas, artísticas e literárias, sendo um esforço de criação, de crítica e de aperfeiçoamento, como de difusão e de realização de ideais e de valores espirituais, constitui a função mais nobre e mais fecunda da sociedade, como a expressão mais alta e mais pura da civilização".

Em 1959, C. P. Snow, proferiu em Cambridge, Inglaterra, a famosa conferência "As duas culturas" que, publicada, tornar-se-ia também um clássico da reflexão sobre as diferenças que separariam a cultura voltada para a ciência e a cultura, humanística, voltada para as artes.

Entretanto, como bem aponta o professor Leopoldo de Meis em seu instrutivo e oportuno Ciência e Educação - O conflito humano-tecnológico, de 1998, várias são, ao longo da história, as discordâncias em relação à dicotomia traçada por Snow, entre elas a do escritor americano John Burroughs, para quem "o verdadeiro poeta e o verdadeiro cientista não se estranham", a de Max Planck, que considera que "o cientistas tem de ter uma imaginação vívida e intuitiva, porque as novas idéias não são geradas por dedução, mas por uma imaginação artística e criativa", e mesmo a de Einstein, quando escreve:

"Onde o mundo cessa de ser a cena de nossas esperanças e desejos pessoais, onde podemos encará-lo como seres livres, admirando, perguntando, observando, aí entramos nos domínios da arte e da ciência. Se o que é visto e experimentado é mostrado com a linguagem da lógica, estamos engajados em ciência. Se é comunicado através de formas cujas conexões não são acessíveis à mente consciente, mas são reconhecidas intuitivamente como importantes, então estamos engajados na arte. Comum a ambas e a devoção amorosa àquilo que transcende as preocupações pessoais..."